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  • Caco Ciocler

LISTA FORTES BRASIL: A FORÇA DE TODOS - Por Caco Ciocler



A lista Fortes nasceu de uma indignação. Andava eu produzindo pequenos videos para as redes com ideias simples, mas que julgava úteis para os profissionais liberais, cujas atividades pareciam impossíveis de serem continuadas virtualmente e que, portanto, começavam a desesperar diante da ideia do isolamento, que começava a se materializar.

Como tenho amigos morando fora do Brasil, sabia que a coisa seria mais longa, séria e dolorosa do que a maioria parecia supor.


O primeiro desses videos sugeria que a gente, que podia, caprichasse nas gorjetas dos entregadores e lhes entregasse máscaras para distribuirem aos companheiros. Na sequencia, veio a ideia de incluir na conta os dez por cento, que já era mesmo de praxe pagar nos bares e restaurantes, para que fossem destinados aos garçons, que haviam, de repente, perdido seu lugar no mundo. Não demorou para que começassem a chegar mensagens com pedidos de cabeleireiros, manicuras, barbeiros, técnicos do audio-visual. Passava as noites tentando resolver esses empasses e, de manhã, postava ideias-video-respostas que eventualmente me iluminavam os sonhos. O dia, ocupava interagindo com sua repercussão e desdobramentos.

Foi no meio desse movimento que recebi dois videos que me tiraram definitivamente o sono. Neles, dois empresários de sucesso exigiam a volta imediata de seus funcionários ao trabalho. Sua justificativa, era a preocupação com o colapso na economia que, segundo eles, não os afetaria a si, uma vez que poderiam tranquilamente fechar seus negócios e viverem o resto da vida tranquilamente, mas sim, e em cheio, aos seus empregados que, esses sim, morreriam, mas de fome. Claro que o desespero fazia sentido, mas desconfiei que sua preocupação fosse, de fato, com a vida de seus funcionários. Quem assistiu aos videos sabe o que estou dizendo. Não havia ali nenhum cuidado, nenhuma proposta mínima de segurança ou adaptação na volta ao trabalho exigida por eles. Um dos videos terminava mais ou menos assim: alguns morrerão, mas a economia não! Nessa noite de insônia fui ao computador para conhecer esses empresários e suas empresas. Consegui, disponibilizado na internet, seu faturamento e a informação de que um deles ocupava a posição mil e pouco na revista Forbes, que lista em ordem decrescente as pessoas mais ricas do mundo e suas respectivas fortunas. Fazendo contas simples, percebi que se somássemos os lucros líquidos (aquele que sobra depois de pagas todas as contas, impostos, salários, custos de produção, pró-labores, etc) de 2019 dessas duas empresas com o lucro liquido de 2019 dos maiores bancos do país, daria para pagar um salário de mil reais, por três meses (que era o tempo previsto na época para a quarentena), para 30 milhões de brasileiros. Na manhã seguinte gravei e postei um video explicando essas contas e sugerindo que talvez fosse o momento dos empresários trocarem o desejo de pertencerem à lista Forbes pelo desejo de entrarem para a história, fazendo parte do que chamei de lista Fortes.


O video foi visto e compartilhado por muita gente e, na tentativa de contribuir para o entendimento do que estava tentando propor, gravei mais dois: O primeiro explicava que eu nada tinha contra o empresariado, que eu sabia (ou imaginava) o quão difícil era, e é, criar e manter um negócio no Brasil. Que eu sabia que o lucro era resultado de seu trabalho árduo, de seu espirito empreendedor, resultado de seus investimentos, dos riscos que topou correr. Mas que, por outro lado, achava que o lucro, ao menos uma parte dele, era resultado também do trabalho de seus empregados e do trabalho dos consumidores de suas marcas. E que num momento de desespero como o que estamos enfrentando, seria ao menos amoroso que uma parte, pequena que fosse, do lucro líquido de um empresário fosse destinada para socorro justamente de seus empregados e consumidores.


No segundo video, disponibilizava publicamente minha redes sociais para divulgar toda e qualquer ação relevante em combate à pandemia e suas consequências sociais, e convocava meus colegas a fazerem o mesmo, como forma de agradecer, reconhecer e, quem sabe, estimular os empresários a fazerem parte dessa mudança. Do B para o T. Uma pequena mudança, mas no eixo da prioridades, que poderia trazer uma grande transformação.


Já a lista Fortes Brasil nasceu numa segunda noite de insônia quando, de volta ao computador, percebi que das inúmeras empresas que já constavam na lista e estavam sendo divulgadas, embora todas estivessem realizando ações de impacto e transformadoras, nenhuma havia doado nem perto de meio por cento de seu lucro liquido. Ou seja, a ideia original, de fazer o empresário entender que seria amoroso de sua parte que numa situação emergencial uma parcela de seu lucro fosse percebida também como resultado do trabalho de seus consumidores e funcionários, não estava dando certo.

A lista Fortes Brasil é, portanto, um derivado da primeira lista Fortes, e tenta conseguir essa transformação de consciência.


Para entrar, a empresa, seja ela do tamanho que for, não pode fazer parte da lista suja do trabalho escravo, da lista das áreas embargadas pelo Ibama e doar, para quem quiser, ao menos 1% de seu lucro liquido de 2019. Nós não recebemos doações. Apenas sugerimos no site algumas instituições que confiamos, caso o empresário não saiba para quem doar.

Esse numero, 1% , não foi escolhido à toa. Carrega em si a percepção inequívoca de uma ínfima parte. Por maior que seja seu valor, transformado em números reais, continuará sempre representando a menor parte inteira possível de um montante. A menor parte inteira possível de um lucro excedente. Merecedor, claro, do empresário. Que fica, pois, com 99% dele.


Em troca, em reconhecimento pela coragem e solidariedade, juntamos um time de atores, apresentadores, pensadores, atletas e músicos dispostos a festejar e divulgar em suas redes sociais (que juntas conversam diretamente com mais de 50 milhões de pessoas) cada nova entrada na lista e, assim, estimular o consumidor a usar uma nova lista para carregar consigo quando for às compras.


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